Patrícia Reis

É un lugar común afirmar que vivimos de costas ao que se fai en Portugal e no mundo da lusofonía, e moito máis no ámbito da literatura. No meu caso Pilar Vázquez Cuesta aprendeume a valorar a rica tradición literaria lusófona, que resulta tan doada de compartir e coñecer malia que en tantas ocasións advirto que de tan preto que  está acabamos por pechar os ollos e ignorala.

Isto  vén ao fío dunha entrevista que o blogue Booktailors lle realiza a Patrícia Reis (ao lado, nunha foto de Daniel Mordzinski ©2006): unha autora que seguía inconstantemente até o de agora, mais que intentarei non perderlle a pista tal é a convicción e a solidez que exprean as súas respostas cando é requirida por asuntos literarios e mesmo por outros de carácter máis tópico. Deixo aquí un fragmento deste texto que gozaría de moitos, e atractivos, titulares:

As críticas que possam ser feitas aos seus livros ainda a preocupam? Qual o papel que acha que a crítica literária ocupa nos dias de hoje?

As críticas nunca me preocuparam. Não é para levar palmadinhas nas costas dos críticos que escrevo. Escrevo por necessidade. Se a crítica gostar, melhor. O papel do crítico é, nos dias que correm, uma orientação para algum público face ao excesso de oferta. No entanto, saliento que o facto de um livro ser lido apenas por um crítico num determinado órgão de comunicação social, atribuindo estrelas de qualidade, é um processo que considero injusto e altamente subjetivo. O livro pode cair nas mãos de um crítico que, de forma óbvia, nunca encontrará qualquer prazer no texto proposto. Injusto? Acontece.

Qual a estratégia para ser empresária, mãe, escritora, editora de uma revista, blogger, entre outros?

A estratégia está em saber desligar quando é preciso, ter uma organização muito pragmática, não entrar em pânico e levar o cão à rua. Vocês também perguntarão aos escritores homens como é que se organizam a partir das «potenciais desventuras ou pesos» da paternidade? Nesse caso: uso a mesma estratégia que Nuno Júdice, por exemplo, usa para ser professor universitário, pai, avô, escritor, diretor de uma revista e ensaísta.

Alguém se faz escritor num curso de escrita criativa?

Ninguém. O que as pessoas podem assimilar numa oficina de escrita é a capacidade maior ou menor para contar histórias, para usar a linguagem de forma diferenciada. Ao mesmo tempo, uma oficina de escrita pode ser uma excelente forma de partilhar textos, e a mais-valia está nessa partilha. Um escritor não se fabrica. Não se junta água e agita e PUM: eis um escritor. Da mesma forma que não há grandes romancistas com 20 anos. A maioria dos romancistas de que gosto têm todos mais de 50 anos ou andam por aí. É preciso ter uma vida para se ser escritor. Ao mesmo tempo, tenho quase a certeza de que não podemos decidir ser escritores: ou somos ou não somos, mesmo que não cheguemos a publicar no mercado tradicional.

 Qual o seu maior ódio de estimação?

Não tenho ódios, tenho mais que fazer do que perder o meu tempo com merdas. Aliás, acho que vamos todos morrer, não é? Não sabendo quando, optei por gastar as minhas energias apenas nas pessoas e nas coisas de que gosto. Egoísta? Como queiram. Depois dos 40 anos já não preciso da aprovação de ninguém, e odiar deve ser uma trabalheira enorme.